Rascunho, o jornal

Neste fevereiro, ao chegar à marca de 250 edições, em 20 anos de atividade, o jornal literário Rascunho, de periodicidade mensal, confirma seu perfil editorial de apresentar ao leitor farto panorama da literatura nacional e internacional.

No aniversário de 20 anos, comemorado ano passado, o Rascunho passou por algumas transformações, entre as quais: uma ampliação da sua versão impressa, assim como um fortalecimento de sua versão digital (site e redes sociais). Além disso, vários novos colunistas foram agregados ao projeto, como alguns cronistas oriundos de nossa literatura contemporânea.

Não resta dúvida de que essa comemoração de aniversário, em grande estilo, consolida um dos principais veículos do nosso periodismo literário. Merece a reverência de autores, leitores, editoras, enfim, de todo o meio literário. Afinal de contas, em tempos de hiperinformação, é muito bom contar com periódico para realizar uma espécie de “curadoria” mensal para seus leitores acerca do mundo da literatura.

Particularmente, uma das novidades que me chama a atenção no Rascunho é a presença do colunista Luiz Antônio de Assis Brasil, reconhecido por participar da formação de vários escritores, com seus cursos e oficinas de criação literária. A cada mês, o escritor e professor Assis Brasil trabalha matérias relacionadas ao tema, o que provoca duplo efeito: auxilia o leitor na leitura e análise literária e estimula escritores a pensarem em categorias narrativas e ficcionais fundamentais para o fazer literário.

Como leitor do Rascunho e editor de uma pequena revista literária digital, a Voz da Literatura, borbulha em nossa mente muitas ideias e tomo a liberdade de palpitar um pouco mais acerca do cognominado “Jornal de Literatura do Brasil”. Os palpites objetivam tão-somente sugerir novas frentes de atuação de um jornal com o alcance e a magnitude do Rascunho.

Palpite n. 1. Todo periódico literário, acadêmico ou não, deve ter, em um país como o nosso, um compromisso umbilical com a educação literária e a formação de leitores. Penso que, para tanto, uma pauta mensal poderia ser coordenada no Rascunho por diferentes estudiosos do tema no Brasil e por representantes de projetos exitosos nessas áreas.

Palpite n. 2. O meio acadêmico universitário presta relevante contribuição para a compreensão da literatura em sua infinidade de vertentes. A interface do Rascunho com as pesquisas em andamento nos programas de pós-graduação espalhados pelo Brasil pode aquecer o debate sobre autores e temas da literatura, bem como revelar outras facetas pouco conhecidas de nossa história literária. Há, por exemplo, - importa ressaltar - professores e críticos literários pouco lembrados, talvez por não frequentarem as redes sociais, mas que contribuem significativamente para a área e para a disseminação de nossa literatura dentro e fora do país.

Palpite n. 3. A literatura não pode se fechar em si mesma. Outras áreas do conhecimento podem dialogar bem com o meio literário, expandindo as possibilidades de novas leituras sobre o mundo e sobre a própria literatura.

Palpite n. 4. Ao lado dos artigos e resenhas de qualidade publicados no Rascunho, seria muito bem-vindo uma espaço para reportagens, ou outros gêneros jornalísticos pouco explorados, para o tratamento de temas que tocam sensivelmente o meio literário.

São esses palpites uma forma de reverenciar, logo mais, os 21 anos do Rascunho. Evoé! E vida longa!


RAFAEL VOIGT, editor da revista Voz da Literatura.

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