O Louvre de Jiro Taniguchi

Publicado pela Pipoca & Nanquim em abril, o mangá Guardiões do Louvre, de Jiro Taniguchi, desvenda alguns dos mistérios do museu do Louvre.



Guardiões do Louvre | Jiro Taniguchi | Trad. Drik Sada | Pipoca & Nanquim | 2018



Jiro Taniguchi (1947-2017) é um célebre mangaká japonês. Produziu dezenas de mangás desde os anos 1970.


Um dos seus últimos trabalhos foi Guardiões do Louvre (2014), publicado em abril deste ano pela Pipoca & Nanquim.


O título entrega o conteúdo do livro.


Após participar do Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona, o protagonista da história, em sua passagem por Paris em maio de 2013, dedica três dias para visitas ao museu do Louvre. Contudo, em sua chegada à capital francesa, sofre com uma forte febre que lhe impede de sair do hotel por um dia.


Em sua primeira visita ao museu, talvez motivado por seu estado de convalescença, o artista japonês entra em um espaço-tempo de fantasia, em uma dimensão entre a realidade e os sonhos, sendo conduzido no Louvre por Vitória de Samotrácia, ou deusa Nice, estátua que ocupa o elevado de uma das principais escadarias do Louvre.


Depois, em outros ambientes do Louvre e de Paris, encontra-se com o pintor paisagista Camille Corot (1796-1875), artista bastante admirado pelos japoneses, e com o pintor nipônico Chu Asai (1856-1907.


Em outro momento, passeando por Auvers, lugar onde Van Gogh passou seus últimos dias, o protagonista dialoga com o pintor holandês em meios aos campos de plantações da cidade.


O penúltimo capítulo é um dos pontos altos da novela gráfica. Passa-se na Paris de 1939, em meio ao início da Segunda Guerra Mundial, e na iminência da invasão nazista à capital francesa. Taniguchi reconstrói a história pouco conhecida de remoção de obras do Louvre para sua guarda e proteção em outros lugares da França, com o intuito de evitar a destruição e o saque de pinturas e esculturas pelos nazistas. Todos os envolvidos nessa operação poderiam, sim, receber o título de "guardiões" do museu.


Ao final, as feições melancólicas do protagonista ganham resposta ao reencontrar, dentro do Louvre, o espírito de sua esposa falecida Keiko, que lhe relembra o desejo que tinham de visitar juntos esse que é um dos pontos turísticos mais visitados do mundo.


Além de Guardiões do Louvre, Taniguchi teve outras obras publicadas no Brasil: O Livro do Vento (1992, Panini), Gourmet (1997, Ed. Conrad), Seton (2004, Panini), O homem que passeia (2017, Devir).


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