Michaelina
- {voz da literatura}
- há 4 dias
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{} Rafael Voigt
Editor da Voz da Literatura
Doutor em Literatura (UnB)
Que a história cultural invisibilizou várias mulheres que se destacaram nos mais diversos campos artísticos, não é lá grande novidade.
Uma novidade espantosa e transformadora surge quando “descobrimos” maravilhosas artistas de séculos recuados.
Ao pesquisarmos sobre mulheres pintoras do Barroco, se abrirmos algum volume de história da pintura, seremos apresentados em regra aos grandes mestres: Caravaggio, Rembrandt, Velásquez.
Obviamente, vão faltar nesse rol as “mestras”. Para muitos, isso pode não incomodar, nem passar despercebido, mesmo que seja uma nota de rodapé numa enciclopédia de história da pintura.
A belga Michaelina Wautier (1614-1689), por exemplo, deveria estar entre Caravaggio, Rembrandt, Velásquez. Quem sabe por exagero pouco técnico de minha parte. Curiosamente, a autoria das obras de Michaelina somente foi confirmada na virada do século 21. Até então, suas obras ficaram ocultas sob a assinatura de seu irmão Charles Wautier.
Na grandiosa pintura “O triunfo de Baco” (1655-59), Michaelina se autorretrata como uma das bacantes, em meio à cena mitológica.

Das obras conhecidas da artista belga, tenho predileção pelas representações de crianças e jovens, pelos traços tão realçados e vivos, com suas brincadeiras, como “Dois meninos soprando bolhas” e “Cada um com seu gosto”, incluindo a do jovem flautista. Essas duas últimas pertencem à série “Os cinco sentidos”.


São quadros dos mais notáveis, por convidar o público a uma contemplação diferenciada, em relação a cada um dos personagens. Seriam os cinco sentidos uma alusão ao fator estético, uma mistura para compreendermos mais profundamente os efeitos contemplativos provocados pela pintura, assim como discurso que subjaz a ela?
Michaelina Wautier. Artemisia Gentileschi. Sofonisba Anguissola. Elizabeth Vigée Le Brun. E tantas outras que merecem ser redescobertas, especialmente aquelas antes do século XIX. Pintoras cujas obras esperam ser contempladas com os mesmos olhares interessados com os quais se contemplam outros pintores da época em que elas viveram.




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