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Agenda do impossível, de Gabriel Soares

  • Foto do escritor: {voz da literatura}
    {voz da literatura}
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

O escritor Gabriel Soares acaba de lançar Agenda do Impossível (Editora Zain, MG).

 

Em uma espécie de antidiário, o livro é ensaio existencial, uma coleção de aforismos e micronarrativas, numeradas até 500, em cerca de 300 páginas.

 

Essa Agenda do Impossível ganha a seguinte definição  de seu narrador: a tentativa de escrever a própria vida, não apenas sobre a própria vida.

 

Outra observação importante. O narrador/autor caracteriza-se como um leitor compulsivo. Nos registros de sua Agenda do impossível, há um emaranhado de comentários e interrelações entre obras das mais diversas (clássicos da literatura, filosofia, literatura brasileira…) com os fatos da vida e outras tantas questões existenciais.

 

Cantor, guitarrista, baterista, arranjador e produtor, Gabriel Soares é integrante da banda de indie rock Atalhos e autor dos livros As madeleines das freiras (2015) e Cidade pequena (2018).




Trecho


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Na madrugada de ontem, quando estava indo dormir, olhei fixamente para um livro na estante e tive que retirá-lo de perto dos seus irmãos, ao menos por alguns minutos. Abri ao acaso para ler o primeiro grifo que aparecesse. “No espírito da

maioria dos poderosos, ser poderoso é ser temível e, por conseguinte, odioso; ser poderoso é desfrutar do direito de ser injusto, oprimir o fraco e o inocente, de desprezar e insultar o cidadão obscuro e desgraçado, de espezinhar aquilo que os

homens têm de mais respeitável.” Por muito tempo, por estar totalmente de acordo com esse grifo, quis fugir de toda espécie de poder, com o medo de tornar-me um desses tiranos. Mas por que, penso hoje, não aspirar a qualquer forma de poder

para ser justamente o contrário? O desprezo pelo exercício vulgar do poder por aquele que o detém é mais persuasivo, mais pedagógico, imagino. Quem sabe eu encontre também essa frase nesse livrinho espirituoso que é A moral universal,

do Barão de Holbach. Enquanto isso a tomarei como minha.

 

 

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