Um gato que se chamava Rex


Moinhos é uma editora independente fundada em 2016, em Belo Horizonte.


Em seu catálogo, encontram-se várias obras literárias e não-literárias.


Seu primeiro livro infantil foi lançado este ano: Um gato que se chamava Rex, de Lucas Barroso e Humberto Nunes (ilustrações).




Tradicionalmente, Rex, além de nome de dinossauro, serve como nome para cachorros. O gato Rex da história de Lucas Barroso vive uma crise de identidade, pois cultiva todos os hábitos de um cachorro e se sente pouco à vontade na pele de um bichano. O livro estimula uma boa reflexão sobre as diferenças.


A {voz da literatura} convidou o autor de Um gato que se chamava Rex para escrever breve relato a respeito de sua relação com a literatura infantil e também compartilhar sua percepção de como gostaria que sua história fosse usada em sala de aula pelos educadores e pelos pequenos leitores.


Lucas Barroso:


Antes de Um Gato Que Se Chamava Rex, tive três livros publicados (Virose, romance, 2013; O Ano dos Mortos, poesia, 2015; Um Silêncio Avassalador, contos, 2016). Nenhum deles foi escrito para o público infantil. Portanto, está sendo uma experiência nova para mim. Essa conversa com a gurizada é muito rica de significados. Eles são sinceros e absorvem rápido o que lêem e ouvem.


A cada foto ou relato que recebo das leituras do livro, relembro um pouquinho da minha própria infância. Minha vida de leitor começou com os gibis. Eu nem sabia ler, mas ficava maravilhado com os desenhos. Outro fator importante na minha criação literária foram os LPs infantis com histórias clássicas. Aqueles discos quase sempre coloridos e trazendo belas capas, com fábulas fantásticas, narradas com entusiasmo, me deixavam grudado no aparelho de som. Daí, acredito que surgiu a oralidade textual que está bem presente em Um Gato Que Se Chamava Rex. A idéia de ter um narrador certamente veio disso.


Só depois, já no fim do ensino fundamental, me afeiçoei a literatura dos livros - digo isso, porque Literatura não é só o livro físico, como citei acima. Isso se deu com a tradicional série Vagalume. Me reconheci naqueles textos do Marçal Aquino, Marcos Rey, Lúcia Machado de Almeida...


Esse histórico contribuiu para a linguagem imagética e disruptiva que coloquei em prática. Lógico que não pensei em nada disso enquanto escrevia. Meu foco sempre foi contar uma boa história. Simples assim e nada além disso. Entretanto, refletindo agora, já com a distância do período de lançamento e edição da publicação, percebo que toda essa bagagem cultural pesou na elaboração de Um Gato Que Se Chamava Rex.


O livro fala do valor da amizade e do respeito as diferenças. Rex é um felino que se vê e age como cachorro, o que traz consequências a todos a sua volta. Penso que essa história, com questões atuais e temas tão caros à nossa sociedade, pode ser trabalhada de forma lúdica e didática com os alunos em sala de aula.


Outro tópico relevante é a questão sensorial do livro. As ilustrações e cores trabalhadas pelo Humberto Nunes também podem ser potencializadas, pois agregam e complementam o que está sendo contado.


Há tantos jeitos de ver e viver a vida... E a graça está aí. Essa singela história pode ajudar a compreender isso.


{n. 6 | outubro | 2018}


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