Antonio Candido 100 anos

Maria Augusta Fonseca e Roberto Schwarz (Org.) | Editora 34 | 2018 | 495 p.


por Rafael Voigt


O crítico literário Roberto Schwarz possui extrema afinidade com o pensamento e a obra de Antonio Candido (1918-2017). É considerado por muitos um herdeiro intelectual do autor de “Literatura e sociedade". Schwarz já havia analisado em outros trabalhos a obra de Candido, como, por exemplo, nos ensaios “Sobre a Formação da literatura brasileira" e “Sete fôlegos de um livro". Ao lado de Maria Augusta Fonseca, organizou Antonio Candido 100 anos.




Schwarz e Fonseca prestam nova reverência ao ensaísta de “Dialética da malandragem" e se juntam a tantas outras homenagens oriundas de eventos, exposições e publicações dedicadas ao centenário do maior crítico literário do Brasil. A obra publicada pela Editora 34 já nasce como livro canônico sobre esta figura de proa de nossos estudos literários. Reúne mais de 30 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, entre colegas, ex-alunos e novos intérpretes de Antonio Candido.


Sobre uma personalidade com bibliografia tão plural e militância política e cultural destacada, Antonio Candido 100 anos congrega vasta coletânea de depoimentos e estudos inéditos.


Logo na abertura, há dedicatórias de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Graciliano Ramos, além de poema de Francisco Alvim ao homenageado. Em seguida, o livro se divide em cinco partes que mapeiam as diferentes dimensões de Candido, com ênfase em sua atuação como professor, militante político e crítico literário, ressaltando os pensamentos marcantes em sua extensa produção intelectual. São sempre bastante produtivas e singelas as memórias de colegas e ex-alunos de Candido, como Adélia Bezerra, Alfredo Bosi, Davi Arrigucci Jr., Flávio Aguiar, Roberto Schwarz, José Miguel Wisnik, Walnice Nogueira Galvão. Esse memorialismo ajuda a reconstruir a figura humana de Candido em sua atuação docente e como intelectual.


A parte mais longa da obra situa-se no exercício crítico do mestre. Nela revelam-se a dialética do localismo e universalismo, a formação do romance brasileiro, sua análise de Guimarães Rosa ou de Alexandre Dumas, os estudos líricos, a sociologia, a forte presença do tema “realismo", que ajudam a recompor as tendências do pensamento crítico de Candido. O livro reserva ainda espaço para a publicação de um texto inédito do próprio Candido: “Como e por que sou crítico".


Diante de Antonio Candido 100 anos, tem-se um paradigma de personalidade com perfil humanista, atuação política e produção intelectual rigorosa e genuína, que deve inspirar novas gerações de pesquisadores, críticos e educadores literários no Brasil.


{n. 7 | novembro | 2018}


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