Folheto #6 Da Nicarágua à Ucrânia

Atualizado: 22 de jan.

Eleições da Nicarágua. Ucrânia ameaçada pela Rússia. Destaque para um trecho do poema "Os Estatutos do Homem" (1964), em homenagem ao poeta Thiago de Mello (1926-2022). Os 50 anos de "Acabou chorare", álbum dos Novos Baianos. Folhetim: poemas do livro "Aos tímpanos da Zacroqueia", de Fernando Ramos (Ed. Urutau, 2021). Sim, tudo isso no Folheto nº6 da Voz da Literatura.



#06 Folheto Semanal 22jan22
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NICARÁGUA


No último dia 10, Daniel Ortega assumiu seu quarto mandato consecutivo na presidência da Nicarágua. O ex-guerrilheiro sandinista recebe o apoio de países como China e Rússia. Em outra via, Estados Unidos e União Europeia questionam a legitimidade das eleições e aplicam sanções ao país há algum tempo, alegando, entre outras coisas, violações aos direitos humanos.


As contradições históricas da Nicarágua aparecem desde os escritos de Rubén Darío (1867-1916), nome marcante da literatura moderna nicaraguense. Mais recentemente, a poeta e romancista Gioconda Belli, ganhadora do prêmio Casa de las Americas, destacou-se no cenário literário mundial, com seus romances O país sob minha pele e A mulher habitada , retratando, por exemplo, a revolução sandinista iniciada em 1979.



UCRÂNIA A PERIGO

Cem mil soldados russos movimentam-se nas fronteiras com a Ucrânia, incluindo o território da Moldávia.


A incursão militar russa ou o golpe de estado contra o presidente Volodmir Zelenski parece ser uma questão de tempo. Até ataques cibernéticos atingiram sites do governo ucraniano.


Negociações entre o governo russo e a OTAN não avançaram.


Será que os desdobramentos bélicos dessa história terão que ser registrados por Svetlana Aleksiévitch?


Esperamos que não.


A jornalista e escritora Svetlana, nascida na Ucrânia, recebeu o Nobel de Literatura em 2015, por obras como O fim do homem soviético e Vozes de Tchernóbil.


 

ARTIGO 1


Fica decretado que agora vale a verdade.

agora vale a vida,

e de mãos dadas,

marcharemos todos pela vida verdadeira. (...)


Thiago de Mello. (Os Estatutos do Homem, 1964)

 

ACABOU CHORARE: 50 ANOS

“Brasil, esquentai vossos pandeiros/Iluminai os terreiros/Que nós queremos sambar.” Quantas vozes fizeram coro com os Novos Baianos no refrão de “Brasil pandeiro”? Essa pérola de Assis Valente teve, provavelmente, sua interpretação definitiva com Baby Consuelo, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Dadi, Jorginho Gomes. É tempo de celebrar os 50 anos do disco Acabou chorare, segundo álbum desse grupo que se permitia realizar releitura de um samba como “Brasil Pandeiro”, mas também compor repertório genuína. Com musicalidade inigualável, em uma mistura que vai das harmonias da bossa nova e passa pelo rock. O repertório do disco é uma avalanche de sucessos: “Preta pretinha”, “A menina dança”, “Besta é tu”...


FOLHETIM ::: AOS TÍMPANOS DA ZACROQUEIA


Fernando Ramos é poeta, compositor, cineasta, roteirista e artista plástico. É de 2018 seu primeiro romance: Egonia - 9 mm de Prosa (Ed. Patuá). Ano passado, publicou um conjunto amplo de poemas sob o título de Aos Tímpanos da Zacroqueia (Ed. Urutau).






a lei do mais forte


O contrário do contrário é o contrário,

talho do borralho atrás do armário,

séculos: desfiles mortuários;

calcanhares de Aquiles,

relíquias e o Sudário.


Hecatombe, tumba e claustro,

vingança surda, retrolocausto;

criança síria, a tragédia muda:

olhos de sal, enxofre e cicuta.


O som e a fúria de soberba e

lamúria; anemia publicitária.


Navio negreiro,

eugênico cativeiro,

chamado Vida ou

Penitenciária



alephiano


A harpa da harpia arpeja, apedreja e

morde a polpa da cesta, a fruta da festa,

a réstia da cura, correndo da turba da peste,

sem pestanejar ou empestear a encruzilhada das

7 bocas, onde, irremediavelmente, consagro minhas

noites acordadas, queimando querosene no pavio das

bestas medievais da imaginação, as ameixas e os figos,

as uvas passas, as nuas castas, ruborizados pelo eterno

retorno do pecado original, Atlântida emerge sobre

as espumas flutuantes da banheira, e o milagre:

solitário, intestemunhável, escancara o seu

flerte alephiano com o Absoluto, e por um

mísero segundo, poderia jurar: Deus sou Eu.



 

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