As sátiras de Vila Rica


Vila Rica em Sátiras | Adriana Romeiro | Ed. Unicamp | 2018


Lançado pela editora da Unicamp, o livro Vila Rica em Sátiras: produção e circulação de pasquins em Minas Gerais, 1732 é resultado da pesquisa de pós-doutorado de Adriana Romeiro, financiada pelo CNPq.


A autora é professora do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desde 1996. Seus trabalhos se concentram na história da administração colonial e na circulação de manuscritos na América portuguesa.

Entre outras obras, publicou, pela editora Autêntica, Corrupção e poder no Brasil: uma história – séculos XVI a XVIII (2017) e Dicionário histórico das Minas Gerais: período colonial (2012, em coautoria com Angela Vianna Botelho).


Em Vila Rica em Sátiras, Adriana Romeiro contextualiza historicamente a produção de pasquins em Vila Rica, bem como as sátiras dirigidas ao governador da cidade, D. Lourenço de Almeida.


Cinco sátiras são transcritas na segunda parte da obra. Essas sátiras manuscritas encontram-se no arquivo da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.


Na pesquisa, Adriana conclui que as sátiras circularam entre os meses de agosto e setembro de 1732 em Vila Rica.


O governador D. Lourenço de Almeida regressou para Lisboa em setembro de 1732, após um período de mais de 11 anos como principal autoridade na capitania das Minas Gerais.


Segundo a autora, a peça Romance satírico, assinado por um certo Bizorreira, se destaca entre as demais, pela sua qualidade literária, em que o autor cria o diálogo do governador à beira da morte e o padre Felipe de Almeida, evidenciando e denunciando seus atos de corrupção à frente da governadoria. Essa sátira é composta em redondilha maior e conta com 154 quadras.


Adriana Romeiro ressalta que há poucos trabalhos a respeito de escritos difamatórios do Brasil-Colônia, ao contrário do que ocorre na Espanha, Itália, França e Inglaterra, por meio de estudiosos como Christian Jouhaud, Robert Darnton, Arlette Farge.

De acordo com a autora, esse problema em parte se explica pelo fato de pouca atenção ser dada pelos pesquisadores aos documentos manuscritos.


Ainda no ensaio de abertura do livro, Adriana passeia por diferentes fatos históricos de Grão-Pará e Maranhão, Rio de Janeiro, Pernambuco, Salvador, São Paulo, em que aparecem pasquins e panfletos no centro de algumas rebeliões, levantes, sublevações.


Os escritos satíricos analisados por Adriana Romeiro constituem um fio histórico para se pensar a força e a função social da literatura nos fatos políticos da história do país. E mais: as pesquisas sobre o período literário do nosso Arcadismo pode ganhar novos contornos por meio dessa pesquisa (embora não seja algo destacado pela autora).


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